domingo, 30 de outubro de 2011

Os Corvos

Que passaros são esses que entraram pela porta
Plumas negras e todas voando à minha volta
Uma centena de constelações
Todas caídas pelo chão
Um nobre sem riquesas
Uma carta rasgada sobre à mesa
Meu vulto fraco já não clama,
Já não há lugar para mim na sua cama...

A minha essência é sobre a dor
Um nectar escasso e sem sabor
Secretando meus segredos
Convivendo com meus medos
Meus sussurros são todos vazios
Meus olhos negros um tanto frios
Minhas mãos já cavam minha cova - nem funda nem rasa
Por saberem que já não posso mais voltar para minha casa

Vejo imagens do passado e do presente
Sombras e borrões se tecem
Olhos que me perseguem
Arranhando e sufocando a minha mente
Desse corpo inerte e imundo
Desses lábios morimbundos
Nada mais se espera
Já chegou ao fundo

E o tempo passa num zunido
Um estardalhaço em meus ouvidos
Soa, soa, soa, e num tic e tac vai embora
E eu ainda me pergunto porque o tempo não me ignora?

Eu sou o espectador
Vejo a minha vida escorregar pelos meu dedos
Eu sou uma criança que cresceu
Vivendo num passado de tristeza e medo
Porque esses passaros voam sobre a minha cabeça?
Eu sou a causa do meu torpor
E fui eu o culpado pela minha dor,
Sou eu o meu próprio espectador...
Juventude,
Daquela que brilha com quietude,
E tine com estardalhaço.
Se agarre nela como num abraço!
Juventude,
Sim, um dia eu pude...
E ainda posso, ser um antigo jovem,
Com o belo mau humor de um velho palhaço

sábado, 29 de outubro de 2011

Kali e Tara

Vida,
passageira como a chuva,
Corriqueira como a primavera

Morte,
tão forte quanto bruta,
por vezes branda , em outras fera.

Morte e vida!
Precoce, autruísta, suícida,
Vida à morte, morte a vida

Ciclo, carma, destino,
Alegria e dor em desatino.
Essêncial porém nocivo

Pelo não ou pelo sim...
Óde ao começo e ao fim!
De gosto agridoce ou ruim

Óde ao fenômeno que fascina!
Óde ao que tem início e termina!
Morte e Vida!
Morte e Vida!