segunda-feira, 26 de maio de 2014

Mar de Ferro



Meus olhos gritam em agonia
Minha boca se cala por desgosto
Meus dedos dançam com nostalgia
Em volta do meu pescoço
Meu sangue canta euforia
Meu ar preenche pouco espaço
Nos meus pulmões que antes ardia
Agora habita este asco
Eu sou aquele que renega a luz
Aquele que abnega a coroa
Sou serpente astuta que seduz
Sou rouxinol sem rumo - voa
Sou perpétuo em meu finito
Minhas palavras sabem dançar
Eu levo ao meu lado mil conflitos
Na direção das ondas, além do mar
E no meu rosto não há sorriso
Apenas o impeto de afundar
E você sussurra em meus ouvidos
- Para sempre...
Sem parar!
Quer enfrentar meus monstros - sem juízo
E pelo oceano me carregar
Mas eu sou tão pesado,
Tão pesado para nadar...
E eu sou tão pesado,
Tão pesado para os seus braços...
E o vento continua soprando
Na direção das ondas...

Juízo final



Não, eu não me prosto diante de um Deus que não existe

Mas caso o contrário ocorresse e um Deus realmente existisse
Eu o sufocaria até todos os seus infinitos pecados serem apagados
E condena-lo-ia a este maldito paraíso utópico
Fadado a uma eternidade num lugar onde é proibido o sadismo divino
Trancado na própria cela que construiu para os humanos
Vigiado por seus milhões de demônios e vítimas
Acompanhado apenas de seu ego e seu pranto
Prostrado implorando misericórdia ao homem
Enquanto a sua própria criação o ignora
Como o mesmo já fizera antes...

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Poço dos Desejos


Me encontre na beira do poço
Observando meu reflexo feito espelho
Me encontre na beira do poço
Observando minha imagem
em vários tons de cinza e negro

Me afogue com as próprias mãos
E junte muitas pedras
Até meus bolsos estarem cheios
Me afogue com suas próprias mãos
no poço dos mil desejos

Me mostre o paraíso ou o inferno
Da perspectiva mais dolorosa
Farei o pedido
Enquanto você lentamente me afoga...


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Me Leve de Volta Para as Estrelas



Venha comigo
Caçar borboletas
e descobrir a beleza
De voar
Vamos encontrar
Uma nova estrada
Sem direção ou placas
Para nos guiar
Me conte mais
Algum dos seus segredos
e deixe o sopro do vento
Guardar
Vamos correr em círculos
Perseguir estrelas
Sempre pela beira
Na areia do mar
Conte comigo
Não existe preço
Esqueça seus medos
Deixe o azar
Pergunte-me sobre
a ciência do progresso
Dos sentimentos complexos
De amar
Desenhe um mapa
Crie suas estradas
Me guie para casa
De volta as estrelas
Sopre um desejo
Nos meus ouvidos
Que talvez o cupido
Venha realizar
Antes de partir
Lembre-se daquele brilho
Da alma que carrego comigo
e que deixo uma parte dela para trás


sábado, 10 de maio de 2014

Meu belo Frankenstein



Esqueléticos cinco dedos, feito aranha arranha meu peito. Sombrios olhos negros, feito sombra me assombra em segredo. Selvagens caninos pontiagudos, feito fera dilacera minha alma inteira. Lodosos cabelos escuros, feito galhos de carvalhos em sua cabeça. Taciturno, capa em revoada, feito bandeira negra oculta e obscura . Mas o que realmente me devora são suas palavras, hipnóticas e cheias de um vazio sem beira nem fundo... Ecoando minha submissão poética! Tornando visível minha paixão patética...


Recomeço



Não quero perde-lo, não quero perder!
Eu nunca soube, nem saberei!
Minha carne é fraca, meu sangue vermelho
Cravei uma estaca no meu próprio peito...

Não queria detê-lo, foi o que pensei!
Eu não imaginava, nem planejei
As minhas lágrimas ainda escorrem
Suas palavras ainda me consomem

Eu quero toca-lo, como eu não sei
Só quis ama-lo e mais ninguém...
Você dizia que nunca o amei
Mas eu nunca sangrei por outro homem...

E meus olhos gritam
Vazios e sem emoção
"A luz no fim do túnel, é morte, é morte!
A luz no fim do túnel, é sorte, é sorte..."

Passo à passo


Quando a terra se formou era apenas lava e trovões enquanto a vida ebulia dos oceanos aos milhões, aos milhões... Os répteis dominaram a pangeia por eras a fio então os mamíferos eclodiram e reinaram após o fim, após o frio! Então evoluiu o homem em pequenas comunidades, no início tinham medo das bestas feras e das tempestades. O tempo passava rápido e o homem se desenvolvia, eles agora criavam crenças e tinham medo de monstros, serpentes marinhas. As igrejas se instalaram nas grandes cidades e vilas, o medo vinha agora dos mil pecados e atrocidades divinas... A filosofia, a política e a ciência hoje são a base dos nossos povos nos tornando os mais evoluídos das espécies, os mais sábios e plenos, mas hoje o medo nos espreita de outras formas - eleições, policiais, direitos, balas de borracha e gás lacrimogêneo!



Decifra-me ou Devoro-te!



Decifra-me ou devoro-te, eu os desafiei, estou a espera de um homem que tenha força para suportar tudo o que sou, o que fui, o que sei.
Decifra-me ou devoro-te, eu os desafiarei!

Muitos tentam, poucos conseguem e esses poucos pasmam-se e fogem, pois existem coisas que devem se manter nas sombras da ignorância ou elas o consomem!
Existem pessoas que não devem ser despidas de seus mistérios, pois os medos e lembranças podem ser fortes o bastante para destruir os sonhos daquele que os desvenda, tornando-os cegos - céticos.
Decifra-me ou devoro-te, eu os desafiei, estou a espera deste homem, para torna-lo meu amante, meu amado e Rei!
E para todos os outros, próximos condenados, um por um, parte por parte, eu ei de devora-los, assim como todos os outros devorei.




Aliança


Mentirosos
Línguas de trapo
Meticulosos
Arquitetos baratos
Grunhindo aos outros
Sua ignorância
Palavras de azar
Fúria
Ânsia
Pulmões
Inflados de ódio
Asas abertas e negras
Carniceiros e insólitos
Cuspindo suas pragas
Asneiras
E nós entoaremos
Em cântico
"Nós lutaremos pela verdade
E pela verdade morreremos
Nossa bandeira tem milhões de faces
Pretos, brancos, amarelos e vermelhos"
Suas asas irão queimar
Seu governo irá afundar
E quando se levantarem
Verão no céu o arco-íris!

Laje


Onde havia constelação, hoje há teto.
Onde havia estrelas, hoje há concreto.
Espero esperançoso pela queda de uma estrela cadente,
e que quebre este telhado que me separa deste céu
que é um manto negro encrustado de diamantes!




Marchinha de Quarta-feira de Cinzas



O amor...
Quando passa, passa cheio
Cheio de gingado, de requebrado
De promessas
De desejos
Passa cheio de narcisos
Coração pulsa em festa
Bloco de declarações
Passageiro
Folião as avessas!
O amor...
Quando vai embora, embora cheio
Deixa um vazio infestado de frestas
Carnaval de incertezas
Samba-enredo de histéricas
Quarta-feira de cinzas
E lembranças incompletas

Os olhos - Vinícius Alves Matias


Os olhos mentem
A cor da aura
Os olhos mentem
Os olhos mentem
O humor da alma
Os olhos mentem
dia e noite
Os olhos mentem
Mentem...
Mentem, os olhos mentem...
Os olhos mentem
Toda a cor que deveras sente
Os olhos mentem
Toda a dor
Da aguardente
Os olhos mentem
A cor do dia
O sol poente
Os olhos mentem...
Mentem... mentem... mentem...
Os olhos mentem
A dor da noite
O amor da gente
Os olhos verdes...


Desmemórias Desencontradas


Fragmentado
Idéias
Desnorteio
Pensamento
In(completo)
Anseio
Descontento
Desatento
Conflitante
Impassível
Distração


E meu vazio
Disto,
continua cheio

O que faço com as saudades?


Ontem eu fiz promessas.
Já hoje,
Hoje eu fiz café
Com sabor de nostalgia e aroma de despedida...
Amanhã acho que farei lembranças,
Fazer esquecer é amargo demais...

Bilhete:


Bom dia,

Irei me perder por alguns dias...
E quando retornar, após eu ter me achado
já não estarei mais tão perdido
E ainda tão pouco reconhecível
Que talvez você se perca ao me reencontrar
Tenha um ótimo feriado!

No Fim o Recomeço



Não importa quantas vezes você desapareça
Um rastro de lágrimas que rega as mágoas do coração
Você realmente me quer vivo
Você ainda irá sorrir displicentemente enquanto me torturar?
Você ainda crê veemente que no final tudo irá acabar?

ou diga que deseja desaparecer.
Não importa quantas vezes você tente fingir não conseguir me ver.
Não importa, nunca importou,
nunca me importei, nem me importarei.
Onde eu estou? Onde isso me levou?
Eu ainda não sei.
Diga-me o que você matou para tentar nos salvar deste inferno?
Você sabe o que sufocou para provar que estava certo?
Corações quebrados, amantes abandonados e solidão
ou morto para apontar minhas falhas?

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Tipologia


Eu sou do tipo que chega na hora
Eu sou do tipo que não vai embora
Eu sou do tipo que tem mil amigos
Eu sou do tipo que quer estar contigo
Eu sou do tipo que se irrita fácil
Eu sou do tipo que tem sorriso fácil
Eu sou do tipo que organiza o espaço
Eu sou do tipo que empresta livros
Eu sou do tipo que tem segredos escondidos
Eu sou do tipo que sonha acordado
Eu sou do tipo que sofre calado
Eu sou do tipo que passa o tempo em livrarias
Eu sou do tipo sem rumo, que caminha
Eu sou do tipo curto e grosso
Eu sou do tipo que tem bom gosto
Eu sou do tipo que conta estrelas
Eu sou do tipo que encontra a beleza
Eu sou do tipo que acordo tarde
Eu sou do tipo que faço parte
Eu sou do tipo que não segue as regras
Eu sou do tipo que não segura as rédeas
Eu sou do tipo que não tem classificação
Eu sou do tipo louco que caminha numa estrada de incertezas
Caçando vaga-lumes, escaravelhos e borboletas
Que ainda tenta entender a sua própria condição...
Eu sou do tipo que é sem se preocupar em ser
Eu sou do tipo que anseia pelo amanhecer
Eu sou do tipo que clama pela escuridão
Eu sou do tipo que ama mesmo que seja em vão...