Que passaros são esses que entraram pela porta
Plumas negras e todas voando à minha volta
Uma centena de constelações
Todas caídas pelo chão
Um nobre sem riquesas
Uma carta rasgada sobre à mesa
Meu vulto fraco já não clama,
Já não há lugar para mim na sua cama...
A minha essência é sobre a dor
Um nectar escasso e sem sabor
Secretando meus segredos
Convivendo com meus medos
Meus sussurros são todos vazios
Meus olhos negros um tanto frios
Minhas mãos já cavam minha cova - nem funda nem rasa
Por saberem que já não posso mais voltar para minha casa
Vejo imagens do passado e do presente
Sombras e borrões se tecem
Olhos que me perseguem
Arranhando e sufocando a minha mente
Desse corpo inerte e imundo
Desses lábios morimbundos
Nada mais se espera
Já chegou ao fundo
E o tempo passa num zunido
Um estardalhaço em meus ouvidos
Soa, soa, soa, e num tic e tac vai embora
E eu ainda me pergunto porque o tempo não me ignora?
Eu sou o espectador
Vejo a minha vida escorregar pelos meu dedos
Eu sou uma criança que cresceu
Vivendo num passado de tristeza e medo
Porque esses passaros voam sobre a minha cabeça?
Eu sou a causa do meu torpor
E fui eu o culpado pela minha dor,
Sou eu o meu próprio espectador...
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