sexta-feira, 20 de junho de 2014

Príncipe Encantado ao Avesso


Meigo feito um tubarão faminto
Doce feito limões verdes
Carinhoso como um coice de cavalo
Grosseiramente fofo
Igual a mim mesmo


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Narcisista Egocêntrico


Chama-me Narciso e leva-lo-ei além Olimpo,profundo na fonte em que se afoga a vaidade nas sombras da própria existência. Bem vindo ao meu mundo, onde a beleza é uma maldição!

Quem sabe?


Outro dia eu ouvi alguém dizer no celular "Hey, o que você disse? Ninguém se importa, tanto faz..." Mas o resto ficou indecifrável com a distância. Cheguei em casa e resolvi escrever sobre isso. Então comecei, "Hey, o que você disse?" mas eu também não sabia, então resolvi parar por ali mesmo, afinal ninguém se importa, tanto faz...

Fuga


Alguém, correndo pelas sombras, deixou cair no percurso um objeto que com o impacto ecoou surdo, como um sino despencando.
Ao me aproximar pude observar o artefato, era um coração! Tinha centenas de rachaduras que brilhavam incandescentes feito lava. Concluí "Este coração foi roubado, mas no percurso tortuoso foi aos poucos dilacerado e abandonado por motivos óbvios!".
O corredor desapareceu e o seu coração, inteiro, ressoava acelerado na escuridão. Já este, abandonado, me dará muito trabalho, sempre deixam para a razão restaurar as fendas, " Onde esta o amor quando se precisa dele...".

Vá, venha, fique a ver estrelas


          Todo o fim de noite brota um dia do horizonte, lugar de onde a escuridão costuma passar à fio as horas a ver os "navios" em decadência e diminutas estrelas a despencar.

          Pra que chorar se já se foi, e se voltar, voltar é bom, mas algumas coisas vão pra sabe-se lá quando retornar.
          E se ficar, que fique! Pois dia e noite será a mesma sombra na parede e ainda haverá milhões de estrelas decadentes à despencar!

De Repente


Ódio
Ódio
Ódio
Sufocante, sem ar
Esse é o fim eu sinto
Tempestade negra
Esta dentro de mim
Conflito!
Ódio... Ódio... Ódio...
Meu velho amigo
Eu vou estrangula-lo
Com esses cinco dedos
Esvair o rancor,
Alimentar meu vício!
Ódio e mais ódio - sórdido
Irei corroer
Desmembrar meu espírito
Enquanto você queima
Eu suplico
Deixa-me consumir
Em chamas me destruir
Agonizar sozinho

Condicional


Acho que finalmente conquistei minha alforria, desatei as amarras, me libertei das correntes.
Acho que finalmente me livrei das algemas, fugi da cadeia e posso amar livremente.
Sim, acho que finalmente!

Lembre-se


Memória, memórias...

Demoram pra ir embora...
Mas um dia vão, sim
Mais um dia vão!



É Feito De Quê?


A solidão é formada por um vazio denso e sólido,

O vazio é formado por solidão, volátil e fluída...
A alegria é feita de felicidade momentânea.
E a felicidade,
Ah, a felicidade...
É feita de muita alegria!

Partida


Parte de mim partiu
E a outra parte, que parta...
Só não entendo bem
Se minhas partes se foram,
partiram
Ou se apenas estão rachadas...



...


        Altruísmo, ainda vou morrer disso! Mas decepção, ah... essa não pretendo sentir mais o sabor, afinal de contas a culpa não é daquele que te decepciona mas é total e completamente sua, você cria expectativas mas nunca houve promessas.
        As vezes uma solidão completa e vazia é melhor do que mil pessoas completamente vazias...
        Hoje eu brindo de frente para o espelho numa taça de lágrimas, "Nunca mais irei me decepcionar! Um brinde ao egoísmo amargo, sólido e solitário. Um brinde a você, reflexo no espelho, fixo na porta do MEU armário!"
        O silêncio nunca foi tão sonoro e sinfônico... melodia de angústia e poder!

Bilhete:


Bom dia,
Irei me perder por alguns dias...
E quando retornar, após eu ter me achado
já não estarei mais tão perdido
E ainda tão pouco reconhecível
Que talvez você se perca ao me reencontrar
Tenha um ótimo feriado!

Orgasmos Intelectuais



Eu sou um ninfomaníaco da língua,
vivendo na suruba das palavras e histórias,
fazendo ménage com a literatura e a escrita criativa
e chupando com vontade os mamilos da imaginação!

Maldição


        Eu era um fardo muito pesado, uma alma de ferro carregada em seus braços. Meus braços cercavam seu longo pescoço, minhas pernas pendiam mecânicas contra o vento fraco...

        E eu era um grande fardo, fadado a ser uma alma de ferro com coração de pedra em seus braços. Quando minha respiração tornou-se mais sólida e minha carga insuportável, deitou-me cuidadosamente na beira do abismo e me empurrou aliviado.
        Eu tenho um coração de pedra e uma língua que é de aço. Minha alma é feita de ferro e o abismo continua me puxando para baixo.
        Mas antes de cair disse num sussurro "eu te amo", e agora fomos ambos condenados... enquanto eu cair no abismo, você, paralisado feito concreto, gritará desesperado "eu estou tão pesado... tão pesado..."





O Maior Erro



O tempo passava lento
Entre nós um sentimento
Esse foi o meu maior erro
O tempo pairava alheio
E você me partiu ao meio
Paguei o preço por me entregar sem medo
Esse foi o meu maior erro
Você domesticou a besta
Pendurou na parede minha cabeça
E minha língua entre seus seios
De seus lábios nove letras
Sussurrando "me esqueça"
Nunca teve piedade ou receio
E esse foi o meu maior erro
Mas o amor não é deste tipo de jogo
Em que você pode se aliar à qualquer um
E no final sempre haverá dois caminhos
Mas você sempre escolherá seguir sozinha
Alegremente pela estrada mais sombria
Porque você é cruel e impetuosa
Uma força da própria natureza
Deixei minha paixão me tomar por inteira
Agora vejo,
Este foi o meu maior erro



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Prece


   Faço preces à tempestade para que nunca vá embora. Ajoelhada sobre as lágrimas enquanto o desespero me toma. As nuvens pairam negras, o vento bate contra a porta, os raios percorrem todo céu feito rachaduras luminosas e a chuva chega calma e fria, premissa de que durará por horas... 
   Me levanto nua e sedenta enquanto vou para o lado de fora, sinto na pele o frio e a força de cada gota feito navalha furiosa.
   Dê vida a minhas magoas e transforme em poesia - gloriosa!
Sinto meu corpo inebriar enquanto o vento sopra. Minha mente em revoada junta-se a tempestade revolta. E quando a tempestade terminar voltarei para casa absorta. E dentro em breve ajoelharei novamente à suplicar por outra...



ASFIXIA


As lágrimas, as páginas, a nostalgia
O vazio, o passado, a asfixia
A solidão, a ausência, a covardia
Os cortes, a morte, a sina
             Amarga                 Amarga
...........................................................................Amarga
             Amarga                 Amarga
Quem está esperando por sinais?
Quem está sedento por paz?
Quem está suplicando por mais?
Eu estou suplicando por...
AMOR,
  Continuo me ferindo
                                     na alma
                          AMOR,
                            Continuo te reprimindo
                                                                 Carma
     A bebida que entorpecia
     A fumaça que produzia
                                                                                                   E toda a forma de euforia
                                                                                                   Aos poucos me
                                                                                                                           ASFIXIA!


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Cinzas


       O passado me acompanha como um velho amigo, pendurado em minhas costas apontando para um único caminho. E eu só posso continuar, apenas continuar... e acenar para os fantasmas que chegam para me assombrar...

      Todos meus demônios arranham minhas pernas, enquanto cantarolam sobre dor e pena. Gosto de me esconder nas profundezas das sombras, um oceano vazio sem maré ou ondas... 
      Sou um tolo cego e amaldiçoado, sem forças o bastante para abandonar o passado e eu só posso continuar, apenas continuar... enquanto a esperança se afoga em lágrimas.
      Mas esta noite não irei mais sufocar, cavarei uma cova rasa para enterrar minhas angústias. Gosto de observa-las debatendo em agonia, implorando por mais fúria e melancolia.
      E se eu tivesse um coração a cor seria cinza, da mesma cor que se tornou minha nostálgica alegria. Gosto do sofrer frio e silencioso, que cala a alma e não tem nenhum gosto.
      É difícil caminhar com o passado preso as suas costas, enquanto suas pernas foram arrancadas por seus próprios demônios. É como se todos os suspiros fossem o último e toda a luz fosse apenas um lampejo borrado no escuro.
      E sou um tolo por acreditar e seria um tolo se não acreditasse. Tenho sonhos empoeirados guardados a sete chaves. Não estou pronto para desistir mas posso me entregar, quem sabe? É  como ter os pulsos cortados gotejando liberdade...
      E foi olhando para o espelho que encontrei um monstro em mim. Olhando para o espelho o monstro me sorri. E continuarei me perguntado o que diabos fiz para merecer este maldito fim.