segunda-feira, 22 de abril de 2013

[R]evolução



O olho que chora
Com brilho fosco
A boca que grita
Arrepia até o osso
O dedo inquisidor
Que aponta para o outro
Um grito abafado,
Um sopro
Um desejo de morte perigoso
A aguda raiva inescrupulosa
Brota e cresce enquanto corta
Rangendo os dentes
Cegando a mente
Com o mais puro
Maldito ódio
O pensamento,
Expelido pela garganta
E escarra grunhidos de intolerância
A santa guerra, a cor, a raça...
Neste mundo
O diferente se tornou caça!
O sangue que corre fervente
Incinera o corpo, a alma, a mente
Regorgitando aos berros, insano.
A essência do que é ser humano!
Então ouço-os rugindo:
- Para o inferno todo o homem!
- Para o inferno todo o homem!
Inferno é este
Em que vivemos
Em meio ao rancor, ao ódio -  pesadelo!
Deixados todos a própria sorte,
Entre os lobos
Em pele de cordeiro.

Mas o sol ainda brilha alto e leitoso
O vento sussurra silencioso
Os dia se arrastam - preguiçoso
Enquanto o homem evolui asqueroso

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Profano



Tu és meu carma
O néctar doce da flor amarga
A bala veloz que abandona a arma
Tiro certeiro, cheio de modéstia calma

Tu és minha sina
Causa-me efeitos da cocaína
Teu cheiro, teu gosto, tua língua
Beija-me e consome e alucina

Tu és meu destino
Degusto-te a essência feito nobre vinho
Tua voz é musica nos meus ouvidos
Teus dedos inebriam meus sentidos

Tu és meu sonho
Ainda acordado, quando perco meu sono
Sentado, soberano em teu trono
Levanta teu cetro, proclama-se meu dono

Tu és minha anoesia
Persigo-te junto aos outros - sozinho
Vislumbro-te feito amante em poesia
Minha vida sem ti é vazia

Tu és meu medo
Arraigado bem fundo no peito
Tu violentou meus segredos
E também despertou meus desejos

Tu és meu drama
Quando se vai, deixa um vazio em minha cama
Quando retorna, tua presença transborda, derrama
Amaldiçoo-te homem de vida cigana!

Tu és meu pecado
Teu suor tem sabor adocicado
Teu fogo me incendeia - Diabo
Meu corpo implora teus lábios

Tu és minha culpa
Desejo profano, animalesca volúpia
Tirou meu folego, minha paz, minha roupa
Tornou-me teu cervo, teu párea, tua puta

Perdoai-me, Vênus
Perdoai-me, oh! Perdoai-me
Pois sou humano,
Feito de carne...
Ou aqueça o desejo tão forte
Que meu corpo prefira a morte
Do que este terrível delírio
Paixão,
Sentimento desprezível.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Auto-Retrato



Sou um Jovem sem sonhos
Sou inverso, contrário...
Minha aura não brilha

Sou um filho medonho
Sou fel, sou amargo
Minha língua é ferina

Sou palhaço tristonho
Sou um pobre diabo
Minha alma é vazia

Sou um Poeta enfadonho
Sou um homem macabro
Minha poesia é cretina...