Quando pulei
Tinha certeza
O vento soprava
Na direção da beira
Fui levado pela água,
Nadei contra a correnteza!
O vento gemia misericórdia
Sussurros do além
O mar delirava furioso
Engolindo-me em ondas, num vai e vem
Não haviam mais bolhas
Apenas o presságio do fim
E ondas me levando embora
Para longe e mais perto de mim
A calmaria acabou
Acalmaria se afogou
Os cavalos marinhos estão vindo
Galopando na minha direção
Então eu me debato
Perco meus sapatos
Não posso fugir
Não sou nem humano
E eles são cavalos!
Vivia me escondendo
Esconderijo no armário
As vezes nem me lembro
Como vim parar aqui embaixo
A tempestade começou
A tempestade me devorou
Os cavalos marinhos estão chegando
Posso vê-los armando uma emboscada!
E eu,
Embaixo d’agua,
Não posso mais flutuar.
E algumas vezes,
Mesmo cego,
Posso vê-los se aproximarem...
De novo
Quando afundei
Desci depressa
Enquanto a corrente me acariciava...
Quando acordei
Era um mundo às avessas
Cercado por todos os lados de pura água...
O mar saiu vencedor
O mar mudou de cor
Posso sentir os cavalos marinhos
Arrastando-me bem fundo no oceano...
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