sexta-feira, 15 de junho de 2012

Amor de Perdição





Assim como um corte profundo
Como se fosse hoje o fim do mundo
Amor de perdição
Me persegue, me convoca e me assola
Me distrai, me hipnotiza, me ignora
Mas ainda pulsa no meu coração


Me testa e corrompe com olhares
Me afogo no mais profundo dos mares
Navegando nessa embarcação
Controlado, afundo na sua ausência
Porém me sufoco na sua presença
Mar de ilusão


Como numa dança não muito rítmica
Mostra suas presas e me toma por vitima
Numa graciosa satisfação
Me cega, me prende, me incendeia
Sou seu desejo, meu néctar e suor são sua ceia
E em trapos começa a infusão


Numa felicidade e ferocidade animalesca
Sussurra baixo, muito baixo... Carne fresca
E desabo em suas mãos
O sangue a ferver correndo por minhas veias
Descubro agora que estou preso demais em suas teias
E o próximo passo é a minha solidão


Do que vivo? De planos e planos
Passam-se dias, meses, quiçá anos
E percebo que esse amor é do mais puro veneno
Daquele que pode matar mas nos torna plenos
Bebo desse cálice então cada gota espalhada pela borda
E sinto que além dessa louca insanidade mais nada importa


Assim como o mais belo dos véus
Ou como o mais culpado dos réus
Amor de perdição
Do teu corpo, alma e sentimentos
Da tua língua, e palavras ao vento
Teu repouso é a hora mais tranquila de toda essa confusão


Em silencio...
Noite adentro
Que as dríades nos abençoem
Meros humanos pecadores
E que afastem de nós esse nevoeiro
Amor! Sentimento traiçoeiro


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