sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mundo Subterrâneo


Algumas vezes
Sentir-se-ia como vivo
Ainda que morto estivesse
Mesmo que no teu casulo subterrâneo nada viste
Tu dirias estar tão profundo quanto Alice
Num país de alegorias silvestres
Mas o que podes dizer já que esta aí embaixo
Quem poderia te escutar do fundo deste gigantesco penhasco?
Tua vergonha contida já ocultou até mesmo os teus braços

Então é isto
Se perdeu no caminho de volta
Então é isto
Se perdeu ao sentir que sentia a tua própria falta
Então é isto
Caiu na tua própria obscuridade
Então é isto
Foi soterrado pela tua rainha - Insanidade

E foi assim
Que do ínicio pulas-te para o fim
E foi assim
Que apodreceu e se perdeu todo o teu jardim
E foi assim
Que a tua luz sofreu eclipse total
E foi assim
Que a tua escuridão se tornou o teu próprio mal

A cidade morre
As ruas gemem, as luzes piscam
E dos teus pulsos brotam...
As lâminas cortam
A poça cresce, o sangue verte
E pela vala escorre.
Sim, eu sei o que tu sentiste
Foi como um cancer negro no teu coração
Neste momento foi que se esvaiu a tua calma
Foi aí que tu submergiste na lama
Foi aí que tu libertas-te tua alma...
 
Então foi isto
Uma estrada bifurcada, dois caminhos sem saída
Então foi isto
Entre sorrisos e risadas quase sempre retraídas
Você se foi por hoje
Encontrou o teu lugar em meio as cinzas
Você se foi por hoje
E deixaste tua vida pela metade
Fugiste da tua própria realidade
Não terminastes de escrever tuas rimas...
Porém encontraste o teu lugar em meio as cinzas.


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